Eu em mim
Às vezes quero ser tempestade,
Dessas que por onde passam não deixam pedra sobre pedra,
Dessas que arrasam tudo com uma fúria impetuosa,
Como tormento.
Às vezes quero ser brisa,
Suave, que acaricia a face,
E trás frescor e cheiro de menta
Na tarde abafada,
Trazendo alento.
Às vezes quero ser fogo,
Queimando tudo por onde passa
Murchando a bela flor, queimando sonhos,
Fazendo virar fuligem o amor.
Mas também quero ser água
Inundando o mundo com fertilidade, vida,
Molhando no ventre da terra a semente que cresce
E se transforma em flor de esperança.
E no espelho vejo um contraste perfeito
Entre brisa e tempestade, fogo e água, delineando cada traço meu
Mostrando-me que posso ser Inflamadamente dócil devastadoramente calmo
Num equilíbrio impecável, na corda bamba do meu eu.
Joel Vermach

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